Repetir sempre até integrar

Para o mediático pensador e escritor Alain de Botton só se aprende pela constante repetição e, se não o fizermos, nada retemos na nossa mente. Na minha reflexão para este momento de formulação de objetivos para um novo ano, inspiro-me naquela premissa: só repetindo – e praticando – diariamente os Cinco Princípios do Reiki os iremos integrar em nós, na nossa vida. Fazê-lo será a nossa melhor resolução para este e para todos os anos.

Nesta altura abundam os artigos com sugestões sobre o que podemos e devemos fazer para que o nosso próximo ano seja mais cheio daquilo que se quer: amor, trabalho, calma, felicidade, entre outros objetivos. Este não é mais um artigo desses. Ou melhor, é e não é. Não é, porque o foco aqui é muito simples e recupera algo que não é novo para os praticantes (e simpatizantes) de Reiki. O que proponho para 2017 é que, muito simplesmente, incluamos os Cinco Princípios do Reiki em cada momento da nossa vida. Em todas as situações e em cada questão que tenhamos de resolver. Antes de qualquer conversa ou tomada de decisão. Quando estivermos prestes a perder a cabeça ou a apontar o dedo a alguém.
Em tudo.
Quando nos levantamos de manhã e sentimos a angústia de mais um dia; quando conduzimos no meio do trânsito congestionado; quando chegamos ao trabalho e damos de caras com a má disposição do chefe; quando ao almoço ouvimos as coscuvilhices dos colegas; quando ao telefone começamos a perder as estribeiras com quem está do lado de lá; quando no supermercado somos ultrapassados na fila para a caixa; quando o filho decide fazer “aquela” birra precisamente num dia em que tudo o que havia para correr mal já correu. Nessas alturas, procuremos lembrar-nos de respirar fundo e dizer:

Só por hoje,
Sou calmo
Confio
Sou grato
Trabalho honestamente
Sou bondoso

Consigamos também fazê-lo se verdadeiros problemas surgirem. Nessas alturas, quando um grande desafio nos tocar, tenhamos também força e coragem para dizer:

Só por hoje,
Sou calmo
Confio
Sou grato
Trabalho honestamente
Sou bondoso

Mas também perante o bom, o belo e os sorrisos lembremo-nos de repetir os Cinco Princípios. Porque da gratidão nasce a luz e a paz interior. Fazendo um balanço do último ano – aliás, dos últimos anos – chego à conclusão que os Cinco Princípios têm sido o meu Norte. É neles que confio para enfrentar as ondas e esperar a acalmia que vem depois. É a eles que vou buscar a calma, a confiança e a serenidade nos momentos mais difíceis. E é a eles que volto sempre que tudo está bem.

 

Repetir e repetir

É da repetição que surge a integração. Ou seja, é por nos exercitarmos a ter calma, sermos confiantes, gratos, honestos e bondosos, que estas qualidades se infiltram em nós, na nossa mente e no nosso espírito. E, com o tempo, acabam por se fundir na nossa essência. Como consequência, passamos a sentir e a emanar essa energia. Mas isto não acontece de um dia para o outro. Não acontece apenas porque se fez um curso de Reiki. Não acontece se somente pensamos nos Cinco Princípios quando fazemos autotratamento ou se os dizemos unicamente quando meditamos. Os Cinco Princípios passam a fazer parte do nosso Ser se assim o permitirmos, se os chamarmos à nossa vida a cada momento. E isso depende de nós, a cada instante.

Foi nisto que pensei quando há uns dias li um excerto do “The Book of Life”, da autoria de Alain de Botton. Intitulado “Nós só aprendemos se repetirmos”, o texto versava precisamente sobre a necessidade de repetirmos na nossa vida aquilo que queremos mesmo gravar em nós. Sob pena de perdermos irremediavelmente aprendizagens fundamentais. Partilho alguns fragmentos:

“Antes do desenvolvimento da educação moderna, os sistemas educacionais mais poderosos do mundo eram as religiões. Eram as religiões que nos ensinavam a respeito de ética, propósito e significado da vida. E um dos aspectos interessantes da sua pedagogia é que eram obcecadas com a repetição. (…) A repetição é a única forma de garantir que algo vai permanecer.
(…)
Pagamos um preço alto pela nossa falta de interesse em ensaiar lições e ideias. Há várias coisas que precisamos ter em mente: as melhores partes da nossa natureza que nos falam de sermos pacientes, de permanecermos gentis, de lutarmos pelo perdão, de pararmos para apreciar, de nos esforçarmos para entender o que a princípio parece insuportavelmente estranho…

(…)
Precisamos de roubar a ideia de repetição às religiões – e criar o nosso próprio catecismo, as nossas próprias orações da noite, os nossos próprios ciclos de conhecimento ensaiado. Precisamos de tornar vívidas nas nossas mentes as mais importantes ideias constantemente. Nunca devemos terminar a escola. Diariamente devemos voltar a imergir nas grandes verdades: que vamos morrer, que nos devemos compreender, que devemos amar, que os outros são mais triste do que maus…
Muitos de nós afastaram-se da religião; mas não nos devemos afastar daquilo que as religiões conheciam tão bem acerca das nossas mentes: que nada se mantém ativo nelas, a não ser que o ensaiemos e repitamos a cada amanhecer.” Alain de Botton, in “The Book of Life”

 

Possamos, pois, repetir e repetir o que queremos integrar e manter em nós. E que 2017 nos traga abundância de luz, saúde, paz, amor e bem-estar.

Sobre o autor:

Terapeuta e mestre de Reiki, concilia com a atividade de jornalista e produtora de conteúdos. Elemento dos Órgãos Sociais da Associação Portuguesa de Reiki nos biénios 2012-2014 e 2014-2016

Andreia Vieira – que escreveu artigos no BeYou Reiki.

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